COP26 e o avanço da ESG

Antônio Carlos Vieira Seniuk, Dezembro/2021

A COP26 foi um evento que provocou uma remexida nas questões ambientais, principalmente às que se referem àquelas que influenciam de forma direta a crise climática que o planeta enfrenta. O tema do evento proporcionou discussões importantes que ocorreram em duas vertentes: ações públicas dos governos e ações do setor privado. Dentre as ações do setor privado, as discussões envolveram um espectro mais abrangente do que unicamente as questões ambientais que provocam o aumento da temperatura, mas incluíram também as questões sociais e de governança que afetam a saúde e a sustentabilidade corporativa nesse mundo em transição, ou seja as práticas ESG na gestão dos negócios.

Como um resumo final das deliberações estabelecidas na 26ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre o Clima (COP26), publicado no sábado (13/nov.) após duas semanas de negociações em Glasgow, na Escócia, pode-se afirmar que houve avanços em relação ao tema do uso dos combustíveis fósseis, mas não atendem às reivindicações dos países pobres por justiça climática e não garantem o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Evidências documentais apresentadas na COP26 mostram como os efeitos das mudanças climáticas afetam de maneira desigual os países. Um dos exemplos são os países africanos, que emitem apenas 3% das emissões de gases de efeito estufa, mas que já gastam, por ano, 10% do seu PIB com os impactos climáticos.

Pode-se dizer que o "Pacto de Glasgow para o clima" constituiu-se no primeiro documento de uma COP a mencionar o termo "combustíveis fósseis", como o carvão e o petróleo, principais vilões do aquecimento global. Isto pode ser considerado um avanço, já que desde o Acordo de Paris, foi a primeira vez que a principal fonte da crise climática foi ratificada por todos os países que participaram do encontro.
Como forma de amenizar sua responsabilidade nesse tema, a Índia, com apoio da China, pediu para trocar a expressão “eliminar gradativamente” por “reduzir gradativamente” o uso de carvão e os subsídios a combustíveis fósseis, garantindo a sobrevida dessas fontes de energia e adiando para 2022 decisões importantes sobre este tem para a COP27, a ser realizada no Egito

Para a gerente para Políticas Públicas e Relações Governamentais da The Nature Conservancy Brasil, Karen Oliveira, no âmbito dos acordos de mitigação das emissões, o compromisso mais interessante foi o assumido entre Estados Unidos e China, de não importar produtos que contribuam com o desmatamento e alcançar 100% de eletricidade livre de carbono até 2035.
Os principais bancos do mundo se comprometeram a alinhar seus financiamentos à meta de emissão líquida zero ainda nesta década e enfrentarão um exame minucioso do como cumprirão suas promessas ecológicas, cortando recursos aos combustíveis fósseis e outros ativos com alto teor de carbono.

É importante destacar que em resposta aos temores de greenwash empresarial (demonstrações falsas de ações de sustentabilidade), um novo grupo de especialistas será criado em 2022 para avaliar os planos líquidos-zero corporativos, conforme anúncio do Secretário Geral da ONU, António Guterres. Uma questão chave será se esses planos impulsionam realmente a redução de emissões ou apenas fazem compensações.

Também pode ser considerado um avanço, a busca de transparência na declaração dos compromissos climáticos evidenciada pela definição das novas regras que determinam uma padronização das tabelas e formatos a serem utilizado nos relatórios a serem auditados e avaliar de forma consistente e confiável o que os países estão fazendo e obter informações mais regulares e mais robustas sobre o estado das emissões de gases de efeito estufa e o progresso feito na implementação das NDCs*.

Tão importante como os resultados da COP26, no sentido de definir diretrizes e ações governamentais necessárias para frear a degradação do planeta e ao mesmo tempo buscar o equilíbrio com a necessidade de desenvolvimento, todas as questões tratadas no encontro serviram para abrasar as discussões em fóruns corporativos paralelos ao evento, sobre a configuração do papel dos gestores corporativos, diante do crescente impacto que os aspectos ESG têm exercido no desempenho dos negócios.

Atualmente, a abundância de experiências, tanto na esfera governamental, quanto nas corporações, consultorias e no campo acadêmico, permitiu a formação de uma base consistente para discussão sobre o tema ESG, que parte da premissa que a otimização da interação entre estes três fatores é absurdamente essencial para a perenização da atratividade financeira de qualquer negócio, mesmo que em alguns casos, seja necessário fugir do imediatismo de resultados e atuar na perspectiva do médio e longo prazo.

Como conclusão desta discussão em painéis com grandes executivos do mercado, foram levantadas as seguintes declarações e tendências:

  • Existe a constatação do sucesso financeiro das operações de muitas empresas, como resultado efetivo e medido por indicadores da adoção consistente das práticas ESG.
  • As boas práticas ESG são consideradas atualmente a linha de gerenciamento mais avançada na busca da Qualidade gerencial;
  • As práticas ESG preconizam a definição e monitoramento de indicadores ambientais, sociais e de governança, que permitem conhecer em tempo oportuno o impacto das ações da corporação, saindo em vantagem na prevenção dos riscos e o melhor aproveitamento das oportunidades. E melhor gerenciar o que é conhecido do que atuar sobre o desconhecido”.
  • O universo financeiro já incorporou o conceito emergente de dupla materialidade – materialidade financeira e materialidade não financeira, que exige que a companhia priorize, discuta e divulgue as questões baseadas nos impactos que surgem tanto no sentido “outside-in” (impactos para o negócio e stakeholders), quanto no “outside-out” (impacto para a sociedade e meio ambiente), considerando ambos na valoração de ativos e tomada de decisão na destinação dos investimentos.
  • É fundamental monetizar todos os ganhos e perdas obtidos pelas práticas ESG como base para identificar os erros e acertos da gestão, para correção de rota e redefinição da estratégia de ação.
  • A inovação tecnológica e gerencial é a chave para a disrupção nos processos atuais, que permite quebrar os paradigmas técnicos e de gestão e tornar viável a manutenção ou ganho da rentabilidade dos negócios, minimizando os impactos negativos para a sociedade e para o meio ambiente.
  • Tornou-se mandatório, já na concepção técnica e operacional de novos projetos e modelos de negócio, a incorporação dos conceitos e boas práticas de ESG, considerando toda a inovação disponível, de forma a prevenir custos e perdas futuros para adequação física e de processos.
Cuidar do planeta e da qualidade de vida das pessoas nunca foi tão importante para o mundo dos negócios.

Nota: *NDC é uma sigla em inglês para Contribuição Nacionalmente Determinada que envolve compromissos voluntários criados por países signatários do Acordo de Paris. ... Cada um deles teve cinco anos para desenvolver e apresentar suas NDCs, entre 2015 e 2020.

quem somos

Somos uma empresa de engenharia e gestão que atua na construção de soluções personalizadas e criativas para problemas complexos, sempre pautada pela ética, transparência e confidencialidade.

Atuamos em projetos de diversos segmentos de negócio, tais como minero-siderúrgicas, energia, óleo e gás, edificações, alimentício, logística entre outros. Procuramos oferecer uma completa opção de serviços que suporte o gerenciamento de projetos de forma eficiente e objetiva visando sempre o atendimento aos objetivos estratégicos de prazo, custo, qualidade, saúde e segurança.

A grande e variada experiência de nossos sócios e parceiros, no atendimento a projetos de diversos portes e complexidades, tem nos permitido atuar com sucesso no mercado nacional e internacional.

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